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Resíduos veterinários: descarte correto conforme ANVISA RDC 222/2018

Clínica veterinária gera resíduos de saúde regulados pela ANVISA RDC 222/2018. Descarte irregular gera multa de R$ 2.000 a R$ 1,5 milhão. Veja como ficar compliance sem complicar.

Publicado em 2026-07-14 Leitura: 11 min Lgpd Compliance

Sumário

  1. O que diz a ANVISA RDC 222/2018
  2. Classificação dos resíduos (5 grupos)
  3. PGRSS: o documento obrigatório
  4. Segregação na origem: na prática
  5. Contrato com empresa licenciada
  6. Multas e fiscalização
  7. Como reduzir custo de descarte
  8. Checklist de compliance

O que diz a ANVISA RDC 222/2018

A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 222 de 2018 define normas de gestão de Resíduos de Serviço de Saúde (RSS). Clínica veterinária está incluída como geradora de RSS.

Obrigações principais:

  • Elaborar e manter PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde);
  • Segregar resíduos na origem (não misturar);
  • Acondicionar em recipientes adequados;
  • Contratar empresa licenciada pra coleta e destinação final;
  • Manter manifesto de transporte assinado (comprovante de descarte correto).

Fiscalização é feita pela vigilância sanitária municipal/estadual.

Classificação dos resíduos (5 grupos)

GrupoO que éExemplos
ABiológicos infectantesCarcaças, sangue, fluidos, materiais com microorganismos
BQuímicos perigososMedicamentos vencidos, quimioterápicos, produtos de revelação radiográfica
CRadioativosRadiografias com iodo radioativo (raro em clínica geral)
DComuns recicláveis ou nãoPapel, plástico, restos de alimento
EPerfurocortantesAgulhas, lâminas de bisturi, ampolas quebradas, vidros

Cada grupo tem cor de saco/recipiente diferente:

  • Grupo A → saco branco leitoso com símbolo de risco biológico;
  • Grupo B → conforme tipo (geralmente saco laranja);
  • Grupo D → preto comum;
  • Grupo E → caixa rígida amarela (descarpack).

PGRSS: o documento obrigatório

Todo estabelecimento de saúde deve ter PGRSS escrito. Conteúdo mínimo:

  • Identificação do estabelecimento e responsável técnico;
  • Caracterização (tipo de atividade, capacidade, número de profissionais);
  • Diagnóstico de geração (estimativa de quanto gera de cada grupo);
  • Procedimento operacional padrão (POP) de cada etapa: segregação, acondicionamento, armazenamento interno, coleta interna, armazenamento externo, transporte, destinação;
  • Plano de capacitação da equipe;
  • Plano de emergência (vazamento, derramamento, acidente);
  • Indicadores e metas de redução.

O PGRSS pode ser elaborado pelo responsável técnico (vet) ou contratado de consultoria especializada (R$ 2.000-5.000 a primeira versão, R$ 800-1.500/ano de revisão).

Segregação na origem: na prática

Onde colocar cada coisa:

  • Sala de exame:
    • Lixeira branca (Grupo A) pra: gaze suja, swab, luvas usadas em procedimento, fralda de pet;
    • Lixeira preta (Grupo D) pra: papel toalha limpo, embalagem;
    • Caixa amarela (Grupo E) pra: agulhas, ampolas.
  • Centro cirúrgico: só Grupo A (todo material) e Grupo E (perfurocortantes).
  • Farmácia: Grupo B pra medicamentos vencidos.
  • Recepção: Grupo D normal.

Treine equipe pra não jogar gaze suja no lixo comum, e não jogar papel toalha no lixo branco (paga mais caro pra descartar Grupo A).

Contrato com empresa licenciada

Você não pode descartar resíduos A, B, C, E em lixo público ou aterro comum. Tem que contratar empresa coletora licenciada pelo IBAMA/CETESB.

Empresas atuantes no Brasil:

  • Stericycle (nacional);
  • SerQuímica;
  • Mvet Resíduos (Sudeste);
  • Locais menores (busca “coleta resíduos saúde [sua cidade]” no Google).

Custos típicos:

  • Pequena clínica (1-2 vets): R$ 200-400/mês com coleta quinzenal.
  • Clínica média (3-5 vets): R$ 400-800/mês, coleta semanal.
  • Hospital: R$ 1.500-3.500/mês, coleta diária.

Pega contrato + alvará de coleta + manifesto de transporte da empresa. Esses documentos são exigidos em fiscalização.

Multas e fiscalização

Descarte irregular tem consequências sérias:

  • Multa ANVISA: de R$ 2.000 a R$ 1.500.000 dependendo do porte e gravidade;
  • Multa ambiental (Lei 9.605/98): R$ 50 a R$ 50 milhões por crime ambiental;
  • Suspensão de alvará pelo município;
  • Crime ambiental em casos graves (descarte em rio, queima irregular).

Vigilância sanitária visita típica vez/ano. Verifica:

  • PGRSS atualizado e disponível;
  • Recipientes adequados nas salas;
  • Sala de armazenamento externo (abrigo de resíduos) com piso lavável, ventilação, identificação;
  • Manifestos de transporte arquivados;
  • Treinamento da equipe documentado.

Como reduzir custo de descarte

  1. Segregue corretamente: não joga papel toalha limpo no lixo branco. Reduz volume Grupo A em 30%+.
  2. Negocie volume: se você gera pouco, junta com outras clínicas pra coletar juntos (rateio).
  3. Compacte: sacos bem cheios reduzem custo por coleta.
  4. Capacite equipe: treinamento de 1h/ano evita maior parte dos erros.
  5. Reveja fornecedor anualmente: mercado tem competição, vale cotar 3 empresas.

Checklist de compliance

Você está em conformidade se:

  • ✓ Tem PGRSS escrito, atualizado, assinado pelo RT;
  • ✓ Tem responsável técnico identificado (geralmente o veterinário sócio);
  • ✓ Tem recipientes adequados em cada sala;
  • ✓ Tem caixa de perfurocortantes em centros cirúrgicos e exame;
  • ✓ Tem sala/abrigo de resíduos identificada;
  • ✓ Tem contrato com empresa licenciada pra coleta;
  • ✓ Arquiva manifestos de transporte por 5 anos;
  • ✓ Treinou a equipe e documentou o treinamento;
  • ✓ Tem plano de emergência pra vazamento/acidente.

Se faltar qualquer item, comece por ele. Auditoria interna anual evita surpresa em fiscalização.

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