Calendário de vacinação de cães e gatos 2026: vacinas obrigatórias e reforços

Quais são as vacinas obrigatórias (V8/V10, antirrábica, V3/V4/V5), o esquema de filhote, os reforços e o que muda entre cão e gato, com o calendário por idade. O protocolo final é sempre do seu veterinário.

Publicado em 2026-05-06 Leitura: 11 min Gestao Clinica Vet
Calendário de vacinação de cães e gatos: filhote e gatinho na clínica

Por que vacinar não é opcional

Vacina não é enfeite de carteirinha. É o que separa o seu filhote de um punhado de doenças que derrubam rápido, custam caro pra tratar e, em vários casos, não têm cura, só suporte e torcida.

Cinomose e parvovirose acabam com um cachorro novo em poucos dias. Panleucopenia faz o mesmo com gato filhote. E não adianta pensar “meu pet nem sai de casa”: esses vírus resistem no ambiente e pegam carona na sola do seu sapato.

Tem outro detalhe que muito tutor não liga: algumas dessas doenças são zoonoses: passam do animal pra gente.

  • Raiva: transmitida por mordida ou arranhadura. Depois que os sinais aparecem, é praticamente sempre fatal, em bicho e em humano.
  • Leptospirose: associada a urina de rato, enchente e água parada. Contamina o cão e contamina a casa.

Antes de tudo: este artigo é um guia geral pra você chegar na consulta sabendo o que perguntar. Quem define o protocolo final do seu pet é o médico-veterinário: idades, intervalos e vacinas mudam conforme região, estilo de vida e fabricante. Nada aqui substitui a consulta.

Vacinas obrigatórias: o que isso quer dizer na prática

“Vacina obrigatória” é o jeito como a maioria dos tutores chama o que as diretrizes da WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais) chamam de vacina essencial: a que todo cão e todo gato deve receber, onde quer que viva. Na edição de 2024 das diretrizes (WSAVA, 2024), a lista das essenciais em qualquer lugar do mundo é curta:

  • Cão: cinomose, adenovírus canino (hepatite infecciosa) e parvovirose, que estão na V8 e na V10;
  • Gato: panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte (herpesvírus felino), o trio da V3.

Outras viram essenciais conforme o lugar. Onde a raiva é endêmica, a WSAVA considera a antirrábica essencial para cães e gatos, mesmo sem exigência legal. Onde a leptospirose canina é endêmica e existe vacina adequada aos tipos da região, recomenda vacinar todos os cães. E onde a leucemia felina (FeLV) é endêmica, a vacina é essencial para gatos com menos de 1 ano e para adultos com acesso à rua ou que convivem com gatos que saem.

GrupoCãoGato
Essenciais em qualquer lugar (WSAVA)Cinomose, adenovírus canino e parvovirosePanleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte
Essenciais onde a doença circula (WSAVA)Raiva e leptospiroseRaiva; FeLV para gato jovem ou com acesso à rua
Citada na norma federal de trânsitoAntirrábica, no atestado para viajar (IN MAPA nº 9/2021)Antirrábica, no atestado para viajar (IN MAPA nº 9/2021)

E na lei? Na norma federal sobre trânsito de animais, a vacina citada é a antirrábica: a Instrução Normativa nº 9/2021 do Ministério da Agricultura dispensa cães e gatos da Guia de Trânsito Animal, mas exige que viajem com atestado sanitário de veterinário que comprove a saúde do animal, com destaque para a garantia de imunização antirrábica (IN MAPA nº 9/2021, art. 7º). E, para o Ministério da Saúde, a vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva nesses animais (Ministério da Saúde). Hotel, creche, condomínio e campanha da prefeitura têm regras próprias: pergunte antes quais vacinas eles pedem.

Para registrar tudo, use o modelo de carteira de vacinação pet para imprimir ou a carteira de vacinação digital, que guarda as doses no celular.

Cão: as vacinas essenciais

O protocolo básico de cachorro tem duas frentes: a múltipla e a antirrábica. O resto entra conforme o risco.

Múltipla (V8 ou V10)

É a vacina que cobre várias doenças numa dose só. Geralmente protege contra:

  • Cinomose: neurológica, frequentemente fatal, sequelas permanentes em quem sobrevive;
  • Parvovirose: diarreia com sangue e desidratação relâmpago em filhote;
  • Adenovirose (hepatite infecciosa canina);
  • Parainfluenza: respiratória;
  • Leptospirose: a zoonose da urina de rato.

A diferença entre V8 e V10 está principalmente na cobertura de leptospirose: a V10 costuma incluir mais variedades da bactéria. Em região com rato, enchente ou área rural, o veterinário geralmente puxa pra V10. Quem decide é ele, não o balcão do pet shop.

Antirrábica

Vacina separada, geralmente a partir das 12 a 16 semanas. É a mais séria da lista pelo motivo óbvio: raiva mata e passa pra humano. Muita cidade tem campanha pública anual e gratuita: acompanhe o calendário da prefeitura, mas confirme o momento certo com o seu veterinário.

Não essenciais (entram conforme o risco)

Dependem da rotina do seu cão:

  • Gripe canina / tosse dos canis: faz sentido pra cão que frequenta hotelzinho, creche, pet shop, parque ou exposição. Onde tem muito cachorro junto, isso circula fácil;
  • Giárdia: considerada em cães com contato frequente com outros animais ou histórico de reinfecção;
  • Leishmaniose: relevante em áreas endêmicas. Aqui tem um ponto importante: geralmente exige teste antes de aplicar. Não é vacina pra sair pedindo por conta.

Gato: as vacinas essenciais

Mesma lógica do cão: uma múltipla e a antirrábica.

Múltipla felina (V3, V4 ou V5)

O número muda conforme o que a vacina cobre:

  • V3: panleucopenia, rinotraqueíte (herpesvírus felino) e calicivirose. Esse é o trio básico;
  • V4: o trio acima + clamidiose;
  • V5: o anterior + FeLV (leucemia felina).

Traduzindo: panleucopenia é a “parvovirose do gato”, brutal em filhote. Rinotraqueíte e calicivirose estão por trás dos quadros de espirro, secreção no olho e feridinha na boca, e viram problema crônico com facilidade.

FeLV: essa depende de teste

A vacina de leucemia felina não é aplicada no automático. O padrão é testar o gato antes: se já for positivo, vacinar não resolve nada. Costuma ser indicada pra gato com acesso à rua, que mora com outros gatos ou tem histórico desconhecido, como o resgatado ou o adotado adulto.

Antirrábica

Vale pra gato também, mesmo o de apartamento. Morcego entra em janela, e gato caça morcego. Idade e reforço, de novo: o veterinário define.

O calendário na prática: idade por idade

Esse é o esqueleto que a maioria dos protocolos segue. As idades são aproximadas e podem mudar conforme a avaliação do veterinário:

Idade aproximadaCãoGato
6 a 8 semanas1ª dose da múltipla (V8 ou V10)1ª dose da múltipla (V3, V4 ou V5)
10 a 12 semanas2ª dose da múltipla2ª dose da múltipla
14 a 16 semanas3ª dose da múltipla3ª dose da múltipla
A partir de 12 a 16 semanasAntirrábicaAntirrábica
Todo anoReforço conforme avaliação do veterinárioReforço conforme avaliação do veterinário

A lógica: o filhote nasce com anticorpos da mãe, que protegem no começo mas atrapalham a vacina a “pegar”. Ninguém sabe o dia exato em que essa proteção some. Por isso a dose se repete a cada 3 a 4 semanas até por volta das 16 semanas. Pra garantir que pelo menos uma pegue depois que a barreira caiu.

Por isso dose única não protege filhote. Parar na primeira porque “ele já tomou vacina” é o erro mais comum e mais caro que existe.

Pet adulto sem carteirinha tem outro esquema, mais curto, mas ainda com mais de uma dose.

Cuidados que ninguém te avisa

Filhote não vai pra rua antes de terminar o protocolo

Esse é o mais importante e o mais ignorado. Enquanto o esquema não está completo, o seu filhote não está protegido, e chão de rua, praça e pet shop é onde parvovirose e cinomose moram.

A regra prática: nada de rua, praça, calçada ou pet shop até completar o protocolo, e geralmente ainda uns 7 a 10 dias depois da última dose. Confirme o prazo com o seu veterinário. Socialização nesse período dá pra fazer em casa, com visitas de pessoas e de animais comprovadamente vacinados.

Reações leves são esperadas

Nas primeiras 24 a 48 horas é comum o pet ficar meio “murcho”: moleza, menos apetite, dor no local, às vezes um caroço que some sozinho. Geralmente é normal e passa.

O que não é normal: inchaço no focinho ou na cara, vômito repetido, coceira generalizada, dificuldade pra respirar, prostração forte. Aí não é hora de esperar pra ver: é emergência veterinária. Reação grave costuma aparecer nas primeiras horas, não vacine e saia viajando no mesmo dia.

Guarde a carteirinha como se fosse documento

Porque é. Ela registra data, vacina, lote e assinatura do veterinário. Você vai precisar dela pra hotelzinho, creche, viagem e pra qualquer clínica saber de onde continuar se você trocar de veterinário. Perdeu sem cópia? Muita gente acaba refazendo dose à toa. Fotografe cada página depois de cada aplicação. Se ainda não tem carteira, use o modelo para imprimir ou a carteira de vacinação digital.

O maior risco não é a vacina. É o reforço esquecido

Aqui está o furo real. O tutor leva o filhote direitinho nas três primeiras doses: está empolgado, o bicho é novidade. Aí passa um ano. A vida acontece. E o reforço vira aquela coisa que “eu preciso marcar qualquer hora dessas”.

Quando lembra, já se passaram catorze, dezoito meses. Dependendo do atraso, o veterinário pode precisar refazer mais de uma dose, mais custo pra você e uma janela em que o seu pet ficou desprotegido sem ninguém perceber.

O que funciona, na ordem:

  • Saia da consulta com a próxima data anotada, não com “daqui um ano você volta”;
  • Coloque alarme no celular e no calendário, com aviso 30 dias antes;
  • Fotografe a carteirinha atualizada a cada dose;
  • Escolha uma clínica que te avise sozinha. Essa é a que realmente salva.

Esse último ponto é menos sobre você e mais sobre a clínica: no papel ou na planilha, o reforço só é lembrado se alguém tiver tempo de folhear a ficha. Não tem. Por isso sistemas de gestão como o Vet Agora mostram à clínica as revacinações que estão chegando, com a mensagem de lembrete pronta para mandar ao tutor pelo WhatsApp em 1 toque, e a clínica marca o retorno na agenda. Se a clínica usa o Vet Agora, as vacinas chegam preenchidas pelo veterinário na carteira digital do app VetAgora Tutores, que avisa o tutor por e-mail antes da próxima dose.

Se a sua clínica não te avisa, coloque o lembrete você mesmo, hoje, na data da carteirinha.

Receba o aviso antes de cada reforço

Anote as vacinas do seu pet na carteira digital do app VetAgora Tutores e receba um e-mail antes da próxima dose. Se a clínica usa o Vet Agora, as vacinas chegam preenchidas pelo veterinário. Grátis.

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Perguntas frequentes

Quais vacinas são obrigatórias para cachorro e gato?

Na prática, as essenciais, que todo cão e todo gato deve tomar segundo a WSAVA: no cão, cinomose, adenovírus e parvovirose (na V8 ou na V10); no gato, panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte (na V3, V4 ou V5). A antirrábica entra para os dois onde a raiva circula e é a vacina citada na norma federal para viajar com o pet. A leptospirose entra para o cão onde a doença é endêmica.

Posso levar meu filhote pra passear antes de terminar as vacinas?

No chão da rua, não. Enquanto o protocolo não está completo, ele não está protegido, e é em praça, calçada e pet shop que os vírus mais perigosos circulam. Espere o fim do esquema e ainda alguns dias depois da última dose; confirme o prazo com o seu veterinário. Quintal fechado e colo geralmente são liberados.

Esqueci o reforço anual. Preciso recomeçar tudo?

Depende de quanto atrasou e de qual vacina. Atraso pequeno geralmente se resolve com uma dose; atraso grande pode exigir refazer mais de uma. Leve a carteirinha na clínica e deixe o veterinário decidir a partir do histórico. E resolva agora: cada mês parado é mês desprotegido.

Gato que nunca sai de casa precisa se vacinar?

Precisa. Vírus entra em casa na sola do sapato, na roupa e na visita. Morcego entra pela janela. Gato de apartamento também escapa pela porta e um dia pode precisar de hotelzinho ou internação, onde vão exigir a carteirinha. O que muda é a discussão sobre vacinas de risco, como a de FeLV, que é conversa pra ter com o veterinário.

Meu pet pode tomar vacina doente ou sem estar vermifugado?

Essa é a razão de existir a consulta antes da aplicação. Animal doente, febril ou muito parasitado geralmente não responde bem à vacina, e o veterinário costuma preferir vermifugar e estabilizar primeiro. Não existe “só passar pra tomar a vacina”: o exame antes da dose é parte do processo.

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