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Veterinária colhendo sangue da jugular de cavalo pra teste de Coggins

Anemia Infecciosa Equina (AIE): sintomas, Coggins e o que fazer

Anemia Infecciosa Equina (AIE) é doença viral SEM CURA causada pelo Lentivirus EIAV. 60-70% dos cavalos infectados são assintomáticos. Teste de Coggins é obrigatório por lei (MAPA) pra trânsito interestadual. Veja sintomas, como prevenir e o que fazer com cavalo positivo.

Publicado em 2026-05-18 Leitura: 10 min Emergências com pets

⚠ Conteúdo educacional — produzido pela equipe editorial Vet Agora a partir de literatura veterinária pública. Não substitui consulta veterinária. Em emergência, ligue para o veterinário equino agora.

O que é Anemia Infecciosa Equina (AIE)

A Anemia Infecciosa Equina (AIE), também chamada de “mal do cansaço” ou “febre dos pântanos”, é uma doença viral causada pelo Lentivirus EIAV (Equine Infectious Anemia Virus), da mesma família do HIV. Não tem cura — uma vez infectado, o cavalo é portador pra vida toda e fonte de transmissão.

É doença de notificação obrigatória ao MAPA (Ministério da Agricultura). Cavalo positivo só pode ser eutanasiado ou isolado permanentemente em propriedade quarentenada.

Sintomas da AIE

O grande problema é que 60-70% dos cavalos infectados são assintomáticos — portadores silenciosos que transmitem o vírus pra outros cavalos. Quando há sintomas:

Fase aguda (1-3 semanas pós-infecção)

Febre alta (40-41°C), apatia, anorexia, perda de peso rápida, edema de membros e barriga, mucosas pálidas ou amareladas, sangramento nasal.

Fase crônica (meses-anos)

Episódios recorrentes de febre, anemia (mucosa pálida), emagrecimento progressivo, edema declive, fraqueza. Animal “não recupera” entre crises.

Fase inaparente (portador)

Sem sintomas. Animal aparentemente normal — mas vírus presente no sangue. Detectável apenas via teste sorológico (Coggins).

Diagnóstico diferencial

Confundida com: babesiose, piroplasmose, leptospirose, tripanossomíase, intoxicação por plantas. Sempre exigir teste de Coggins.

Teste de Coggins: exame obrigatório (GTA)

O teste de Coggins (imunodifusão em gel de Ágar, IDGA) é o exame oficial pra detectar AIE no Brasil. É obrigatório em:

  • Trânsito interestadual de equinos (GTA — Guia de Trânsito Animal exige Coggins negativo < 60 dias)
  • Eventos hípicos (provas, leilões, exposições) — Coggins < 60-180 dias dependendo do estado
  • Importação/exportação de cavalos
  • Compra/venda (recomendado, embora não obrigatório legalmente)

Como funciona

Veterinário colhe sangue da jugular, encaminha pra laboratório credenciado MAPA. Resultado em 5-10 dias úteis. Resultado: negativo ou positivo.

Quanto custa

Coleta + análise: R$ 80 a R$ 200 em laboratórios credenciados. Pode variar por estado e laboratório.

Resultado positivo

MAPA é notificado. Propriedade entra em quarentena. Cavalo deve ser eutanasiado ou isolado permanentemente em local cercado, sem contato com outros equídeos.

ELISA: teste complementar

Em 2014 MAPA passou a aceitar ELISA-AIE como teste alternativo. Mais sensível, mais barato (R$ 50-100), resultado em 24-48h.

Como o vírus AIE é transmitido

O vírus precisa de sangue infectado entrando em cavalo saudável. Principais vetores:

  • Insetos hematófagos (mutucas, mosca-do-estábulo, tabanídeos) — picam cavalo positivo e voam pra negativo. Risco maior em regiões pantanosas/úmidas.
  • Agulhas e seringas reutilizadas — entre cavalos diferentes. Sempre usar agulha individual.
  • Equipamento veterinário não esterilizado (sondas, jugulares, espéculos)
  • Transmissão vertical (mãe → potro durante gestação ou amamentação)
  • Sêmen contaminado (inseminação artificial sem teste)
  • Transfusão de sangue sem teste prévio

Como prevenir AIE no haras

  1. Teste de Coggins anual em todos os animais da propriedade (mínimo).
  2. Quarentena de 60 dias com Coggins negativo pra qualquer cavalo novo que chegue.
  3. Controle de insetos hematófagos: telas em baia (raramente prático), repelentes (Coopex, Ectoline equino), eliminação de focos (águas paradas).
  4. Agulhas individuais — uma por cavalo, descartar após uso.
  5. Esterilizar instrumentos entre animais (sondas nasogástricas, espéculos vaginais).
  6. Não compartilhar arreios que entrem em contato com sangue (cabeçadas com bocal cortante, freios).
  7. Coggins em garanhão e doadora antes de reprodução natural ou artificial.

Perguntas frequentes sobre AIE

Anemia infecciosa equina tem cura?

Não. AIE é causada por lentivírus (família do HIV) que se integra ao DNA do cavalo. Não existe tratamento que elimine o vírus. Cavalo positivo é portador vitalício.

Cavalo com AIE pode viver normalmente?

Em fase inaparente, sim — sem sintomas. MAS é fonte de transmissão. Por lei (MAPA), cavalo positivo deve ser eutanasiado ou isolado permanentemente em propriedade quarentenada (sem contato com outros equídeos).

Quanto tempo o teste de Coggins demora?

5 a 10 dias úteis em laboratórios credenciados MAPA. ELISA (teste alternativo) sai em 24-48h.

Coggins vale por quantos dias pra trânsito?

Pra GTA (Guia de Trânsito Animal): geralmente 60 dias de validade. Pra eventos hípicos: varia 60-180 dias por federação/estado.

Cavalo positivo deve ser eutanasiado?

Por norma MAPA: sim, ou isolado permanentemente em propriedade quarentenada (sem contato com outros equídeos, a 200 metros). Na prática, eutanásia é o mais comum.

Égua positiva pode passar AIE pro potro?

Sim, via transmissão vertical (placenta) ou pelo colostro/leite. Potro de égua positiva deve ser testado aos 6 meses de idade (antes disso há anticorpos maternos).

Quanto custa o exame de Coggins?

R$ 80 a R$ 200 (coleta + análise). Pode variar por laboratório e estado.

AIE é zoonose? Pega em humanos?

NÃO. AIE infecta apenas equídeos (cavalo, jumento, mula). Humanos NÃO podem se infectar.

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